
Dora, a Rainha do Frevo e do Maracatu chegou segunda-feira, dia 25 de janeiro. Nasceu fortíssima e saudável, com bons 3,7 quilos e 52 cm. Nasceu com um pé torto, o que obviamente não a impede de ser rainha do frevo e do maracatu, afinal de contas Garrincha também tinha a perna torta. E diz o médico que o pé vai consertar sozinho. Nasceu num dia atípico de inverno aqui na nossa região da Alemanha, em Düren, onde tem a maternidade mais equipada. Nevava muito e o papai coruja teve que ficar uma hora e meia no ponto de trem à noite, a dez graus negativos. É que na emoção do momento, ele se esqueceu de planejar a volta para casa, posto que não poderia dormir no hospital com as duas. E, como se sabe, na Alemanha quem não planeja toma ferro. Não há perdão.

Mãe e filha encontram-se saudáveis e fortes. Sintonizam-se dia a dia nos rituais de amamentação e tudo o que se segue a eles: acalmar, mamar, virar de lado, mamar de novo, arrotar, mamar de novo, arrotar de novo, sujar a fralda e trocar a fralda, acalmar de novo e dormir. Cena linda, cuja parte que me tem cabido, naturalmente como último coadjuvante, é a mais suja. Sou bom nisso, apesar do estômago fraco que vez em quando nos atrapalha. Também sou bom para acalmá-la. Converso bastante e tenho certeza que ela me escuta e entende. Duvida? Pedi para ela nascer um dia antes, falando na barriga da Ana. Pode conferir com ela. Deve ser coisa da mamãe, da época da escolinha Pés-no-Chão e algum aprendizado com o Arnaldão e o pessoal no subconsciente. Ela gosta de Nara Leão, do Vento de Maio.

Coincidências. Acordo no dia 26 e vou ler os e-mails com um pouco de complexo de culpa, já que dormira toda a noite. Diferente da mãe, que passara a mesma a aprender os rituais supracitados. Helder vez em quando me envia poemas, e o do dia 26 chamava-se “rebento”, e ele nem sabia da novidade. Abro meu livro de contos do Guy de Maupassant no trem a caminho da maternidade e: “Um Filho”. Conto excelente, mas horroroso para o momento, devia ter ficado somente no título.
Na primeira noite sem dormir, achei que morreria, afinal de contas já tentei viver sem dormir no passado, para viver um terço a mais a vida, e provei impossível a hipótese. Dormir é parte da vida. Mas as coisas vão se acertando. Agora ela me acompanha e fica ouvindo música enquanto eu trabalho, escrevo, cozinho, e a Ana descansa seu merecido descanso de heroína mãe recente. Acho que a Dora curte. Um filho revitaliza os nossos sonhos, que costumam esmorecer com o passar do tempo e com contato com a rudeza e as mentiras da realidade. Recomendo para quem quer, mas tem medo por conta dessas mentiras da realidade.
Aproveitando a poesia da Nara, que a Dora gosta, vamos nos encontrar nos ventos de maio próximo aí em Belzonte, se não houver empecilhos, mas que hoje são um pouquinho mais frequentes.
Seja bem-vinda, Dora.
Para ouvir alto!!!






